terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A neve caíra
E o chão estava coberto
Não se via a ponta
Nem ao longe, nem ao perto


Mas lá fora, o que se via
Onde nem uma folha bulia
Um fato vermelho
Num rechonchudo velho


Estava toda a gente levantada
Quando o trenó aterrou
Pois uma gargalhada
O frio da noite quebrou


Estava no meu telhado!
Na minha chaminé!
Aproximei-me da lareira
Pé ante pé


Quando dou por mim
Estava em frente ao Pai Natal
Mas a cara deste velho
Não era nem simpática nem angelical


Um riso enchia a sala
E nas minhas orelhas soava
Percebi nesse instante
Que de algo maléfico se tratava


'Sou o gémeo do Pai Natal
E tu portaste-te mal
Estou aqui para a tua execução
Meu grandessíssimo cabrão'


De imediato, corri
Mais rápido foi o vilão
E depressa me fodi
Quando tropecei no filho da puta do cão


Pressionado pelas suas botas
Ouvi então os meus crimes
Pegar fogo a cotas
E sacar da net filmes! 


Do seu bolso retirou
Um pequeno punhal
E após o seu ritual
Algumas palavras rezou


'Agora vais morrer
E eu sinto nada
Na próxima vida
Não sejas pirata'


O seu punhal voou
Quando um grito eu ouvi
Havia sido trespassado
Pela espada do Pina G!


De joelhos fiquei
Para agradecer
A este senhor, este rei
Que a minha vida ajudou a proteger


O corpo enterrado
E o assunto encerrado
Na minha cama me deitei
No mundo dos sonhos entrei


Cá fora, nem uma folha bulia
A não ser o objecto da matança
O seu coração não batia
Mas a sua mente ardia
Com um desejo de vingança


Feliz Natal,


Alexandre





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