terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quando vejo uma série antiga sou imediatamente abatida por uma enorme onda de nostalgia que apaga tudo o que esteja a sentir no momento. Enquanto estou a ver episódio atrás de episódio, já não sou eu. Não tenho vinte anos, não tenho prazos a cumprir ou pessoas a agradar. Não tenho que fingir ou mentir. Tenho outra vez 7 anos e estou a ver pela primeira vez uma sitcom. Tenho 12 anos e sinto uma verdadeira relação com os personagens. Sinto a minha vida a mudar com as decisões, conscientes ou não, que faço. E essas decisões, influenciadas pela minha ainda pouca experiência de vida, eram também influenciadas pela série que via. Posso dizer que estas personagens, estas "pessoas", fazem tão parte de mim quanto os meus pais, a minha irmã, os meus amigos. Talvez mais. Sinto que lhes criei um mundo dentro de mim, um mundo que cada vez visito menos, não por falta de vontade, mas porque não tenho tempo para isso. Há sempre algo mais importante, e acabo por me ir esquecendo deles. Mas quando me sinto mal, quando me sinto triste, posso contar com eles. Posso ver um episódio, uma curta visita de vinte minutos à vida destes "amigos" que abandonei e sinto-me imediatamente melhor. Sinto saudades da inocência que tinha quando vivia com eles. Sinto saudade da primeira vez que ouvi um álbum do Paul Simon e senti que ele estava a falar comigo. Sinto vontade de abraçar a Helen e o Paul do 'Mad About You', de fazer parte do mundo deles. Quero rir-me outra vez com os Friends, mas não consigo, já sei os episódios de cor e sei o que vão dizer antes deles o dizerem. É claro que tenho novas séries, novos álbuns, mas nada é igual. Tudo muda, e nós mudamos também. Ver uma série antiga, que via quando era criança, ou adolescente, e ser inundado por nostalgia é um dos maiores prazeres que imagino possivel. Só não se compara ao prazer de outrora.


Boa noite.

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